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Metodologia direta para dosagem HDL e LDL pelo Princípio de Clearance

O perfil lipídico é a principal referência para a avaliação do risco cardíaco, diagnóstico de dislipidemias e acompanhamento de tratamento.Um perfil lipídico completo compreende a dosagem de colesterol total, colesterol HDL, colesterol LDL, triglicérides, Lipo (a), apolipoproteína A e apolipoproteína B. Sendo que o NCEP (National Cholesterol Education Program) recomenda a utilização de quatro parâmetros do perfil acima: triglicérides, colesterol, colesterol HDL e colesterol LDL, para a determinação do risco cardíaco, correlacionando com outros fatores de risco (tabagismo, pressão arterial, entre outros).

 
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Para o acompanhamento do tratamento das duas dislipidemias mais freqüentes, elevação do triglicérides e redução de colesterol HDL, o NCEP recomenda a utilização do colesterol LDL como o principal marcador, como segunda opção, sugere a monitoração do colesterol não-LDL.

Diante destas recomendações, torna-se muito importante a padronização de métodos para dosagem de HDL e LDL com altos níveis de precisão e exatidão. O próprio NCEP estabelece como meta valores de CV e bias inferiores a 4% para cada uma das dosagens do perfil lipídico.

Para as dosagens de Triglicérides e colesterol total os métodos de referência são os enzimáticos, padronizados internacionalmente e certificados por todos os programas de controle de qualidade.

Para a fração HDL do colesterol verificamos uma evolução de metodologias na última década. O método de referência, utilizado pelo CDC RM, para este parâmetro é a ultracentrifugação que, embora utilizada em laboratórios de pesquisa e na validação de outros métodos é impraticável na rotina laboratorial devido às características operacionais. Outros métodos, tais como eletroforese e HPLC, também encontram dificuldades operacionais para a sua padronização na rotina de laboratórios de análises clínicas.

As metodologias aplicáveis à rotina laboratorial são classificadas em três gerações. Na primeira geração encontramos as metodologias baseadas na precipitação seletiva por reagentes químicos. Na primeira etapa do método ocorre a precipitação das lipoproteínas não-LDL e a separação das lipoproteínas HDL por centrifugação, na segunda etapa a dosagem do colesterol no sobrenadante. Este método é ainda amplamente utilizado, porém apresenta várias fontes de erros e não se insere adequadamente na rotina de laboratórios automatizados, ficando restrito à técnicas manuais.

O método de segunda geração utiliza um processo de separação magnética d HDL, evitando o processo de centrifugação. Entretanto, este método encontrou pouca aplicação em laboratórios clínicos.

Os métodos de terceira geração representam um grande avanço, pois possibilitam a automação da dosagem do HDL e permitem a quantificação sem a etapa de precipitação. São metodologias que utilizam técnicas com dois reagentes, sendo a segunda etapa uma reação enzimática-colorimétrica. As várias metodologias diferem no primeiro reagente e podemos identificar dois princípios distintos: MASCARAMENTO e CLEARANCE.

No princípio de MASCARAMENTO utiliza-se como primeiro reagente anticorpos específicos ou polímeros combinados com detergentes que impedem a ação colesterol oxidase e colesterol esterase sobre a fração não-HDL do colesterol, ocorrendo a reação enzimática apenas com o colesterol HDL (fig. 1).

No princípio de CLEARANCE, adotado no kit RANDOX, o primeiro reagente, além das enzimas colesterol oxidase e colesterol esterase, estão presentes substâncias que protegem o colesterol HDL destas enzimas, sendo na primeira etapa da reação degradado todo o colesterol LDL, HDL e quilomícrons.

No segundo reagente estão presentes substâncias que liberam o colesterol HDL para a reação enzimática-colorimétrica (fig. 2).

O Princípio de clearance permite eliminar de forma muito eficaz as lipoproteínas não-HDL tornando o método aplicável mesmo frente a altas concentrações de triglicérides (até 1400 mg/dL). Para a avaliação desta eficiência foi utilizado um método cromatográfico para a separação das frações do colesterol em amostras primárias e após o tratamento com o reagente (1). O resultado, apresentado na figura (3), revela que praticamente toda a Lipoproteína não-HDL foi eliminada da amostra.

A comparação do kit RANDOX com o método de referência de CDC RM, resultou na equação de regressão y = 0,979x + 1,13 com R = 0,99; atestando a grande correlação entre os métodos (fig. 4).

A grande eficiência na etapa de eliminação das lipoproteínas não-HDL, a não interferência de triglicérides até uma concentração de 1400 mg/dL, a forte correlação com o método de referência do CDC e cumprimento das exigências do NCEP conferem ao usuário do kit RANDOX a segurança de um resultado de alta precisão e exatidão.

Para a fração LDL as exigências de precisão e exatidão do NCEP são as mesmas adotadas para o HDL (CV e bias < 4%) e tendo em vista a importância que a dosagem do colesterol LDL assume como marcador de preferência para o acompanhamento das dislipidemias, torna-se necessário realizar a dosagem de LDL com métodos cada vez mais precisos.

A forma de determinação do LDL mais utilizada pelos laboratórios clínicos é a equação de Friedewald. Esta equação, apesar de fornecer resultados aceitáveis, apresenta uma série de limitações que dificultam sua aplicação: (1) necessidade de jejum de 12 horas; (2) não aplicável à pacientes com alimentação parenteral; (3) concentrações de triglicérides < 400 mg/dL; (4) ausência de b-VLDL; (5) maior CV em estatísticas interlaboratoriais. Além desses, devemos considerar que a propagação dos erros inerentes a dosagem de cada parâmetro da equação, gerando um erro maior no valor calculado de LDL. Estas sérias limitações justificaram o desenvolvimento de metodologias para a dosagem de LDL.
De forma similar ao ocorrido para o HDL, verificamos uma evolução metodológica na dosagem de LDL nos últimos 10 anos.

Na primeira geração de metodologias, encontramos a precipitação seletiva. Na segunda geração encontram-se os métodos de imuno-separação. A terceira geração compreende os métodos diretos, utilizando princípios similares aos utilizados na dosagem do HDL, MASCARAMENTO e CLEARANCE.

O kit LDL COLESTEROL, fabricado pela RANDOX, baseia-se no princípio CLEARANCE e apresenta características de desempenho similares às verificadas para o HDL COLESTEROL.

Na primeira etapa da reação, todo o colesterol não-LDL é consumido por reações enzimáticas, sendo o LDL colesterol protegido da ação das enzimas por substâncias específicas. Foi realizada um experimento para avaliação da eficiência da eliminação das lipoproteínas não-LDL nesta etapa da reação utilizando um processo de separação por cromatografia aplicado a amostras de soro antes e depois desta etapa da reação. O gráfico dos resultados, apresentado na Fig. 5, revela uma alta eficiência na eliminação seletiva do colesterol não-LDL.

Na segunda reação, o LDL colesterol é dosado através de um método enzimática-colorimétrico (fig. 6).

A comparação do kit LDL COLESTEROL RANDOX, com o método de referência do CDC RM, forneceu a equação de regressão y = 1,0435x – 6,5664; com R = 0,99. Resultados que atestam a excelente correlação entre os métodos (fig. 7).

Numa segunda avaliação de performance do kit LDL COLESTEROL RANDOX, foram selecionadas amostras com valores de triglicérides superior a 815 mg/dL e comparados os resultados com o kit RANDOX e o método de referência do CDC RM. Os resultados, apresentados na fig. 8, revelam uma excelente correspondência entre os valores nesta situação crítica. A equação obtida foi y = 0,926x + 13,2; com R = 0,98. Na avaliação de substância interferentes, foi verificado que uma concentração de triglicérides de até 1200 mg/dL não interfere no método.

A combinação destas características de performance com a facilidade de automação do método de dosagem direta, conferem ao kit LDL COLESTEROL RANDOX a segurança e praticidade necessárias à rotina laboratorial.

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(REFERÊNCIAS:Warnick, G.R.; Matthias, N.; Rifai, N. Evolution of Methods for Measurement of HDL-Cholesterol: From Ultracentrifugation to Homogeneous Assays. Clin. Chem 2001(47):1579-1594. Warnick, G.R.; Matthias, N.; Rifai, N. Evolution of Methods for Measurement of LDL-Cholesterol: A Critical Assessment of Direct Measurement by Homogeneous Assays versus Calculation. Clin. Chem 2001(47):1579-1594. TIETZ, N.N., et al. “Textbook of Clinical Chemistry” W.B. Saunders Co., 1986. Silva, W.P.; Silva, C.M.D.P.S. Tratamento de Dados Experimentais, 2ª ed., Ed. UFPB.)  


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